Alta velocidade: o futuro para os automóveis de condução autónoma

Com a crescente sofisticação e inteligência dos automóveis, o dia em que estes vão dominar as estradas está para muito breve. Qual é o significado desta mudança para as seguradoras?

Os automóveis de condução autónoma e conectados irão tornar-se numa característica comum nas nossas estradas até 2030. Estão no caminho certo – parcialmente automatizados e cada vez mais sofisticados com o passar dos anos. Estes veículos apresentam consequências não só para a segurança nas estradas, mas também para o seguro automóvel. A pergunta que se coloca é como os automóveis de condução autónoma e conectados irão alterar o panorama das seguradoras?

O erro humano é responsável por 90 porcento dos acidentes rodoviários e a condução automatizada pode reduzir as colisões. Quanto mais automatizado for o carro, mais inteligente será, pois possui sensores que estão sempre ligados, mesmo quando o automóvel está a ser operado pelo condutor. Isto significa que os carros com estas características podem reduzir o número de acidentes. O progresso tecnológico irá certamente tornar as nossas estradas muito mais seguras no futuro. Podemos antecipar a produção em série de carros totalmente autónomos até 2030.

Neste cenário, espera-se que o número de sinistros e acidentes diminua significativamente, mas apenas a longo prazo. Mas, até agora, o número não diminuiu. O que assistimos atualmente é a um aumento na quantidade média de sinistros, uma vez que os carros estão cada vez mais equipados com sensores, câmaras e outras tecnologias dispendiosas que aumentam os custos de reparação após um acidente. Além disso, os condutores não trocam de automóvel todos os anos, como fazem com os telemóveis. Muitos automóveis antigos, com sistemas de assistência menos sofisticados, irão permanecer nas estradas durante algum tempo. Existirão sempre sinistros de quebras de vidros, danos de granizo ou roubo, independentemente do nível de automação.

Por outro lado, o estacionamento de carros já está totalmente automatizado para alguns modelos de alta-tecnologia. Os testes de condução autónoma feitos pelos fabricantes de automóveis nas nossas autoestradas são algo especialmente interessante. Dentro de dois a três anos, vamos poder ver os primeiros carros comerciais de condução autónoma nas autoestradas. No entanto, a condução autónoma nas cidades é uma história totalmente diferente, devido à complexidade do trânsito urbano. Poderá tornar-se uma realidade apenas em 2025.

O papel das seguradoras no segmento dos automóveis conectados e da automação será determinante na área de desenvolvimento de novos produtos de seguros, pensados em conjunto com o desenvolvimento da tecnologia de veículos. Para além disso, toda a pesquisa e experiência que as mesmas detêm permite contribuir para uma segurança e prevenção rodoviária mais efetiva. A Allianz leva este papel muito a sério e esta é a razão da criação da AZT em 1971. Desde então, a principal foco da nossa pesquisa insere-se nas novas tecnologias de automação, em colaboração com os fabricantes de automóveis e fornecedores. Por exemplo, a AZT conduziu testes de colisão na década de 1980 para promover o uso obrigatório do cinto de segurança. Ao todo, foram realizados milhares de testes de colisão durante os últimos 45 anos. Temos igualmente, uma loja para reparar os carros utilizados nos testes. Nos últimos anos, investigámos não só o comportamento dos automóveis na colisão, como também o desempenho dos sistemas de assistência ou dispositivos de telemática. Paralelamente, analisámos os nossos próprios dados de sinistros da Allianz e contribuímos para a adaptação de um quadro jurídico ajustado para adaptar as novas tecnologias prestes a entrar no mercado.

Chritoph Lauterwasser, diretor da unidade de pesquisa de acidentes Allianz – Allianz Center for Technology (AZT)

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *