Há uma mulher portuguesa a revolucionar a robótica mundial

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Manuela Veloso é professora na Carnegie Mellon University, nos Estados Unidos da América, e é a mulher que inventou os “cobots”, robôs colaborativos que partilham a informação entre si e com os humanos. Em entrevista ao Observador, a investigadora não tem dúvidas que os avanços da tecnologia são um alerta para a humanidade em termos de mercado de trabalho, da regulação e da política. No entanto, não nos devemos esquecer que estes existem por invenção dos humanos e que terão sempre mais limitações que os homens.

Neste momento já somos inseparáveis da tecnologia. No futuro vamos ser inseparáveis da inteligência artificial. Há cada vez mais aparelhos do nosso dia-a-dia que utilizam esta tecnologia: falamos por exemplo da Siri, da Apple. O processamento de informação vai ser cada vez mais auxiliado pela inteligência artificial, tanto no mundo digital como em robótica: robôs que passeiam, que têm sensores para medir a electricidade, aprendem padrões da nossa vida e ajudam nas decisões que temos de tomar.

Manuela Veloso refere que os sistemas de inteligência artificial não serão completamente capazes de fazer tudo. Os “cobots” já passeiam no gabinete da investigadora, transportam coisas de um lado para o outro, vão buscar pessoas e guiam-nas até onde querem ir. No futuro pode-se pensar que a robótica tirará empregos às pessoas mas, o que realmente vai acontecer, é um problema de transição: as pessoas redefinem-se e são suficientemente inteligentes para se reinventarem. No passado já houve vários empregos que se extinguiram mas deram sempre origem a outros, por exemplo as telefonistas.

A tecnologia vai permitir que as pessoas se insiram no mercado de trabalho através de educação personalizada, ou seja, vamo-nos tornar numa economia de talentos. Trata-se de uma economia em que as pessoas se tornam mais disponíveis para os outros, com aquilo que sabem fazer.

Daqui a cinco/dez anos a investigadora acha que os sistemas de inteligência artificial vão poder apoiar as pessoas nas decisões difíceis que terão de tomar na vida como, por exemplo, escolher um seguro de saúde. Estes sistemas vão saber a situação financeira em que a pessoa se encontra, quanto dinheiro pode dispensar para um seguro deste tipo e quais são as especialidades que mais necessita naquele momento da vida, assim como as pessoas à sua volta que quer proteger.

Há algum receio que os robôs passem a dominar a humanidade, como se de um filme de ficção científica se tratasse. Manuela Veloso não consegue garantir a 100% que isso não irá acontecer, mas destaca que os humanos têm de se unir para que não haja a possibilidade de a inteligência artificial dominar. Até porque foram as pessoas que a criaram, são elas que definiram as barreiras de aprendizagem de uma tecnologia, os robôs só aprendem o que queremos ensinar. E há algo que os robôs nunca vão conseguir aprender, algo que caracteriza o ser humano – a capacidade de sentir. A tecnologia pode fingir mas não pode transmitir nenhum sentimento.

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