Pais e filhos dedicam o mesmo tempo às tecnologias

De acordo com um estudo recente, pais de crianças e adolescentes passam cerca de nove horas por dia a usar ecrãs. Apesar de estarem preocupados com a relação que os filhos têm com a tecnologia – acham que isto os afasta do exercício físico ou vai fazer com que se tornem viciados nos telefones – a grande maioria vê-se como um modelo de bom comportamento para as crianças e vêm a tecnologia como algo bom na vida dos filhos.

O estudo é da Common Sense, uma organização que se dedica a avaliar o desenvolvimento das crianças na era digital. Este é o primeiro estudo sobre as atitudes e hábitos dos pais. O responsável do estudo acha justo afirmar que os adultos estão tão “ligados” aos telefones como os adolescentes entre os 13 e os 18 anos.

Estes adultos, que têm empregos que os obrigam a estar à frente do computador todo o dia, acham que as nove horas passadas à frente dos ecrãs fazem parte do trabalho. Mas os pais que se submeteram ao estudo, reconhecem que só uma hora e meia desse tempo é dedicado à parte profissional. O resto é passado a fazer exactamente as mesmas coisas que os filhos: enviar mensagens, jogar videojogos, assistir a vídeos, navegar na internet e estar atento às redes sociais – mesmo em horário de trabalho.

Quando se pergunta a qualquer jovem pai ou mãe como é que a tecnologia afecta o seu trabalho como cuidador, estes receiam que os filhos se tornem anti-sociais mas, ao mesmo tempo, pensam que ser experiente em tecnologias, será a chave para competir no mercado de trabalho quando forem adultos. Por outro lado, os pais querem que os filhos parem de mexer nos telefones, mas nem sequer conseguem ignorar os toques e vibrações do seu próprio telefone.

Os investigadores afirmam que as pessoas se acham mais multi-tasking do que realmente são. Isto tem impacto, tanto no trabalho como na vida familiar, e contacto com os filhos. Geralmente uma pessoa consegue trabalhar e enviar um SMS ao mesmo tempo, mas vai demorar mais a realizar as duas tarefas. O mesmo acontece quando se tenta dividir a atenção entre um filho e um telefone: estamos numa época em que os chefes, amigos e familiares esperam que estejamos sempre disponíveis via smartphone, a toda a hora. Há quase uma voz interior que nos manda verificar o Facebook e o Instagram com alguma regularidade. Os investigadores afirmam mesmo que quando o telefone vibra, é preciso um enorme poder para ignorar.

Em geral, os pais estão tão atentos aos malefícios quanto aos benefícios das tecnologias. Grande parte dos cuidadores está atento a mudanças no sono e na actividade física dos filhos. Cerca de 70% afirma que a tecnologia ajuda os filhos nos trabalhos escolares, a aprender novas tarefas, a estarem expostos a novas culturas e a serem mais criativos. A maioria acha também que os smartphones não fazem diferença na capacidade de socializar e de comunicar das crianças.

Por fim, o estudo sugere que os pais devem usar estratégias para as pausas nas tecnologias dos filhos. Uma hora antes de dormir e na hora da refeição todos os aparelhos tecnológicos devem estar desligados. Isto serve para todos, pais e filhos, para que os momentos em família sejam conservados e para que todos tenham uma noite de sono mais tranquila.

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