Quer saber como vai ser o mundo em 2040?

Como é que será o planeta em 2040? Há coisas boas, vibrantes, mas também avisos preocupantes, que é preciso ter em conta hoje em dia e não a breve ou médio prazo. Para sabermos como vai ser o globo dentro de duas décadas, a Allianz Partners ouviu o reputado futurologista Ray Hammond.

Para este britânico existem sete mega-tendências que serão dominantes dentro de 20 anos. A saber: população, clima, energias renováveis, globalização, cuidados de saúde, disrupção digital e pobreza.

A população mundial ronda atualmente os 7,6 mil milhões. Em 2040, superará os 9 mil milhões. Haverá alimento para tantas pessoas? Hammond acha que sim, partindo do princípio que a produtividade agrícola pode ser melhorada.

Desafio maior será o da água potável. Ao contrário do que habitualmente pensamos, não há escassez de água doce. O problema é que a maior parte desta está nos pólos, logo, longe de onde é mais necessária. Por isso, Hammond antecipa que será necessário recorrer a fábricas de dessalinização.

Um aquecimento global na casa de 1,5ºC pode parecer pouco para o nosso clima, mas as consequências todos as conhecemos. Incêndios, tufões, inundações, ondas de calor, furacões são os sinais de alerta e, mesmo áreas que, no passado, não experimentaram furacões, tufões ou ciclones podem ter que se preparar para super tempestades.

Hammond avisa: mesmo que hoje tomássemos medidas drásticas para reduzir as emissões de gases com efeito estufa em 80%, é inevitável uma série de eventos climáticos extremos e selvagens até 2040. Note-se que o número anual de acontecimentos climáticos extremos duplicou entre 1980 e 2004 e duplicará novamente até 2040.

O quadro é mais otimista ao nível das energias renováveis. Nos últimos oito anos, os painéis solares voltaicos, que captam a luz solar e a convertem em eletricidade, tornaram-se 86% mais baratos e o custo da energia de parques eólicos caiu quase 1/4.

Os painéis solares tornaram-se duas vezes mais eficientes e uma grande turbina eólica gera agora 40% mais energia. Estes desenvolvimentos tornarão a energia renovável mais barata do que aquela que, no próximo ano, será proveniente de combustíveis fósseis.

A questão do armazenamento rentável, a peça que faltava, está prestes a ser também resolvida, com o desenvolvimento de baterias que disponibilizam energia para dias nublados e sem vento. Custo e tecnologia avançam na direcção certa. O preço dos sistemas de armazenamento de baterias caiu cerca de 2/3 nos últimos cinco anos, enquanto o investimento no seu desenvolvimento deve chegar a 620 mil milhões de dólares até 2040.

É muitas vezes criticada, mas a globalização tem feito mais para reduzir a pobreza mundial, nos últimos 25 anos, do que a ajuda externa dos países ricos desde o fim da II Guerra Mundial. Mais de mil milhões de pessoas saíram da pobreza extrema e a taxa de pobreza global é agora mais baixa do que nunca na história.

Até 2050, espera-se que a pobreza seja erradicada em toda a parte, exceto em África. Podemos dizer com segurança que é uma das maiores conquistas do nosso tempo e devemos agradecê-la à globalização.

A evolução nos cuidados de saúde é talvez o campo mais promissor em 2040. As doenças hereditárias serão erradicadas, a sequenciação do ADN será feita antes do nascimento, os cirurgiões vão usar robôs para efetuar operações em qualquer parte do mundo, o sangue vai ser gerado dentro do corpo dos pacientes, eliminando a necessidade de dadores, haverá tratamentos médicos personalizados e as previsões individuais de saúde serão norma. Resultado: os gastos globais anuais em saúde também vão crescer 225%, atingindo 18,28 triliões de dólares.

Apesar da presença avassaladora do digital, Hammond considera que o trabalho dos humanos será ainda mais necessário. Basta pensar que mentores de pessoas, tatuadores, mentores de animais de estimação ou treinadores de fitness são atividades remuneradas de hoje que não existiam no passado e vão surgir outras no futuro.

Mas também é verdade que, quando a preponderância do digital se tornar esmagadora, em meados de 2030, algumas pessoas não encontrarão emprego. Por seu turno, as máquinas gerarão riqueza e os impostos sobre essa riqueza financiarão as sociedades (as seis empresas mais valiosas do mundo hoje pertencem ao sector tecnológico). Ou seja, os impostos sobre a robotização podem financiar uma “renda universal” para quem não tiver emprego.

Apesar do impacto positivo da globalização, haverá 2 mil milhões de pessoas numa situação de pobreza extrema em 58 países. Com escasso acesso a eletricidade, educação, saúde e outras necessidades básicas.

O contexto dos extremamente pobres terá grandes implicações no futuro, sublinha Hammond. O mundo desenvolvido terá que suportar o enorme custo financeiro que nações falidas e em luta contra a pobreza vão infligir à economia global. Além disso, os que fogem da pobreza vão (continuar a) migrar ilegalmente para as nações ricas, causando grande instabilidade política e económica.

Se preferir, pode ler a versão integral deste texto (em inglês) aqui.

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