Stress: a importância de não fazer nada

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Já alguma vez lhe aconteceu sair demasiado tarde do trabalho e não ter tempo para ir ao supermercado buscar qualquer coisa para comer? Provavelmente não se viver em Nova Iorque, a cidade que nunca dorme. Se vivesse em Munique, por exemplo, saberia como pode ser doloroso ter o estômago vazio a um domingo, depois das oito da noite.

“A Alemanha mantém o mesmo ritmo frenético dos dias de semana como o resto do mundo, mas aos domingos parece que desliga o botão”, explica Sarah Sloat, autora do blog do Wall Street Journal. Para os turistas e imigrantes que estão habituados a deixar as compras do supermercado para domingo, é um desafio entender por que razão a lei germânica proíbe qualquer atividade barulhenta – de cortar a relva a ouvir música alta.

Trabalhar em harmonia com o nosso ciclo de repouso-atividade
Poderíamos ser tentados a julgar o descanso dominical da Alemanha como um costume desatualizado. No entanto, há evidências de que fazer nada ao longo do tempo é essencial para o cérebro. No início dos anos 60 do século passado, o investigador do sono Nathaniel Kleitman descobriu o ritmo ultradiano, ou mais precisamente o “ciclo de repouso-atividade básica”. Kleitman descobriu um padrão de 90 minutos em que alteramos de um estado maior de alerta para um estado menor e que este pode ser encontrado no estado de vigília como de sono.
Mas os neurocientistas vão um passo além e afirmam que sabendo como o nosso cérebro funciona, conhecendo o seu ritmo e a organização dos nossos dias de trabalho de acordo com os seus altos e baixos, permite-nos trabalhar de forma mais eficiente. E mais feliz também!

Uma ciência antiga: técnicas de relaxamento
Os neurocientistas não foram os primeiros a descobrir o quanto é importante fazer uma pausa. Tudo começou no final do século 19, com o indiano Swami Vivekananda a introduzir o yoga entre os ocidentais. No início do século 20, o psiquiatra alemão Johannes Heinrich Schultz desenvolveu uma técnica específica de auto-relaxamento. A sua intenção era permitir que os ocidentais beneficiassem de técnicas de relaxamento orientais sem terem qualquer convicção religiosa.
O professor de medicina e estrela de yoga Jon Kabat-Zinn segue uma abordagem semelhante com a redução de stress baseada no conceito de “mindfulness”. Na opinião de Kabat-Zinn, não são as exigências dos nossos trabalhos que nos levam ao esgotamento, mas sim o sentimento de ter que fazer tudo ao mesmo tempo. Assim, Kabat-Zinn proclama a arte de concentrar-se unicamente no “aqui e agora”. Em vez de sermos multitarefa e, simultaneamente, olharmos para os nossos smartphones, devemos tentar concentrar-nos numa coisa de cada vez, aprender a não fazer nada e a ouvir o nosso corpo.

Empresas apoiam os empregados a sentirem-se melhor
Curiosamente, os números de esgotamento em todo o mundo estão em declínio desde 2013. Será este um sinal precoce de uma mudança cultural, à medida que mais e mais empresas de todo o mundo percebem que os funcionários se desgastam, se não fizerem pausas e descansarem?
A Google, por exemplo, oferece o programa “Procure dentro de si mesmo“, aberto aos empregados e ao público em geral, alegando que fornece as aptidões essenciais para quem, como nós, vive a era digital. Na verdade, a meditação tem o poder de remodelar o cérebro, tornando-nos mais compreensivos, compassivos e resilientes ao stress.
Então, por que não aprendermos, nós próprios, a viver melhor?

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